Michael Jackson esteve no Brasil em 1993 para realizar shows da histórica “Dangerous World Tour”, em São Paulo. Apesar do sucesso massivo das apresentações, a passagem também foi marcada por um acidente: o atropelamento de um menino de 15 anos pela comitiva do Rei do Pop.
Esse menino é Márcio de Paula, hoje com 48 anos. Ele nunca foi grande fã do cantor, mas foi para a rua conferir a movimentação. Na ocasião, Michael visitaria uma fábrica de brinquedos, que ficava a poucos metros de distância de onde o adolescente residia.
"Eu estava lá como espectador, encostado em um carro da polícia, porque para mim, aquilo representava a maior segurança possível. E quando os carros da comitiva saíram com o Michael, eles bateram no carro da polícia, que era exatamente onde eu estava", conta Márcio, em entrevista publicada pela GQ Brasil.
Márcio sofreu uma fratura exposta do fêmur, além de ter queimaduras e outros ossos quebrados. Por conta da gravidade do quadro, ele foi levado ao hospital mais próximo para uma cirurgia de emergência, devido ao risco de infecção generalizada.
No dia seguinte, Márcio foi surpreendido com a visita do próprio Michael. Tudo foi mantido em segredo para que os fotógrafos que o acompanhassem captassem uma reação espontânea do menino.
"Ele chegou muito perto, já se debruçou muito perto do meu rosto, colocou a mão em meu queixo e direcionou para o fotógrafo que já estava estrategicamente posicionado para fazer o registro. Só que eu fiquei tão abobalhado que não olhava para a foto, fiquei olhando para ele, porque não estava acreditando que o próprio estava ali", diz.
Cumprido todo o protocolo de mídia, Michael pediu licença aos profissionais de imprensa e ficou a sós com Márcio e sua família. O comportamento daquele que era o maior astro do mundo surpreendeu positivamente o adolescente.
“Foi ali que eu vi a pessoa além do mito. Deu para perceber o ser humano que ele era. Parecia que ele respirou e pensou: 'Agora não estou sob holofotes, sob a supervisão de ninguém, e posso ser eu mesmo'. E aquilo foi mais mágico ainda", relembra, ainda em entrevista à GQ Brasil.
A equipe de Michael custeou o tratamento inicialmente, mas o restante foi arcado pelo pai de Márcio. Ainda nos anos 1990, a família tentou mover um processo com o objetivo de conseguir uma indenização, que permitisse que o tratamento fosse finalizado sem apuros financeiros.
De acordo com Márcio, Michael teve conhecimento do processo judicial e chegou a assinar uma intimação, mas ele nunca recebeu o suporte financeiro. Hoje, ele sofre com fibromialgia e atribui a síndrome crônica como consequência do acidente.
Ao longo das décadas, Márcio foi uma figura que dividiu opiniões entre os fãs do Michael. Há quem acredite que ele usou a imagem do popstar para conseguir dinheiro e até quem defenda que ele provocou o acidente já pensando em indenização.
Nos últimos tempos, Márcio abriu um perfil no TikTok, onde conta detalhes do ocorrido e do pós. Já são mais de 600 mil visualizações em seu conteúdo. "Eu não posso deixar a minha imagem ser arranhada por pessoas que são cegas por uma idolatria", disparou. "Não estou me colocando como vítima, e sim como vitorioso, porque estou aqui falando disso de uma forma bonita por ter conseguido contornar tudo isso e poder compartilhar minha própria narrativa."